
Os brasileiros querem comprar imóveis, mas apenas uma parcela reduzida já começou essa jornada. Se o cenário de juros elevados certamente é um forte inibidor para que os negócios sejam efetivamente fechados, uma alternativa ainda subutilizada no mercado começa a ganhar relevância: o home equity, também chamado de crédito com garantia de imóvel.
Vamos aos dados. Segundo o estudo Indicadores Imobiliários Nacionais, divulgado pela CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) em parceria com a Brain Inteligência Estratégica, 49% dos brasileiros pretendem comprar um imóvel nos próximos 24 meses, mostrou reportagem publicada pela revista Exame.
A constatação ajuda a desmontar uma percepção comum de que os juros altos “mataram” a demanda. Não mataram.
O desejo de compra segue resiliente porque existe um pano de fundo econômico relativamente sólido sustentando essa intenção. O desemprego permanece em patamares historicamente baixos e a renda média real vem mostrando recuperação. Faz sentido que as famílias continuem olhando para o imóvel como patrimônio, segurança e melhoria de vida.
Mas existe uma diferença importante entre querer comprar e conseguir comprar.
O ambiente de juros elevados, combinado ao endividamento das famílias e ao crédito mais seletivo, faz com que muitos consumidores hesitem na hora de fechar negócio. Eles têm intenção de compra, mas encontram dificuldade para transformar essa vontade em aprovação de crédito, entrada ou capacidade financeira imediata.
O mesmo estudo da CBIC/Brain mostra que apenas 14% das famílias que têm intenção de compra já estão na fase da busca ativa do imóvel.
É justamente nesse ponto que o papel consultivo das imobiliárias ganha relevância. Ao apresentar soluções como o home equity, o corretor deixa de atuar apenas como intermediador do imóvel e passa a ajudar a viabilizar a compra.
A modalidade permite que o cliente utilize um imóvel já adquirido como garantia para levantar capital com taxas mais baixas do que as linhas tradicionais de crédito. Esse recurso pode ajudar desde o pagamento da entrada de um novo imóvel até a reorganização financeira necessária para viabilizar uma mudança de padrão de moradia.
Reportagem publicada aqui pelo Portas mostrou que o crédito com garantia de imóvel cresceu 25% no primeiro trimestre deste ano e atingiu um volume recorde de R$ 3,1 bilhões. O avanço é expressivo. Mas ainda pequeno diante do potencial dessa modalidade no Brasil.
Muitas vezes falta no setor orientação financeira e conhecimento sobre os instrumentos disponíveis.
O profissional do mercado imobiliário pode, e deve, deixar de atuar apenas como intermediador de imóveis e passar a assumir uma função mais consultiva. Entender financiamento, portabilidade, crédito estruturado e home equity fica cada vez mais fundamental.
A imobiliária que consegue mostrar caminhos tende a destravar negócios que, em outro contexto, ficariam parados.
O resumo do cenário é relativamente claro: o desejo de compra continua vivo. O mercado segue resiliente. E existem instrumentos capazes de contornar parte dos efeitos dos juros altos.
Reportagem de Patrícia Schiavo

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