
O mercado de imóveis de luxo em São Paulo acelerou desde 2023, noticia a Exame. Segundo levantamento da Global Citizen Solutions, unidades acima de R$ 3 milhões registraram valorização anual de 21,7% no período, cerca de dez vezes a média da cidade, estimada em torno de 2% ao ano.
O movimento é atribuído principalmente a investimentos estrangeiros de perfil institucional, sem dependência de programas de residência ou incentivos fiscais.
Para Patricia Casaburi, fundadora e CEO da GCS, São Paulo passou a atrair um fluxo de capital guiado pelos fundamentos do ativo. Esses investidores buscam diversificação, retorno e resiliência inflacionária, em uma dinâmica separada dos canais de mobilidade global. A leitura da consultoria é que compradores de imóveis de luxo diferem dos fluxos que movimentam o Ibovespa, mais associados a liquidez, arbitragem e ganhos de curto e médio prazo.
Um exemplo citado é a movimentação do CPP Investments, maior fundo de pensão do Canadá. Em janeiro de 2025, o fundo destinou R$ 1,7 bilhão, em parceria com a Cyrela, a um empreendimento de luxo em São Paulo, com VGV projetado de R$ 6 bilhões. À época, o fundo apontava sinais demográficos favoráveis na América Latina, como o crescimento da população entre 30 e 45 anos e a formação de novas famílias, além de um movimento de busca por imóveis de padrão superior.
A GCS diferencia fatores estruturais, como profundidade de mercado, liquidez e restrição de oferta, de políticas de imigração e tributação que podem acelerar a entrada de capital. Nesse recorte, São Paulo se destacaria por sustentar a valorização pela maturidade do mercado interno e pela demanda de fortunas nacionais e corporativas. O padrão difere de Dubai, apoiada em incentivos fiscais e Golden Visa, e de Atenas, impulsionada por turismo e programas de visto.
A consultoria também compara São Paulo a mercados brasileiros premium como Balneário Camboriú e Rio de Janeiro, mais dependentes de turismo e segunda residência. Na capital paulista, a escala econômica, a presença de sedes de multinacionais, o ecossistema financeiro e a demanda residencial e corporativa contínua reduzem a sazonalidade. No cenário internacional, a cidade se aproxima de capitais emergentes como Cidade do México, Istambul, Jacarta e Joanesburgo, que concentram riqueza nacional e sedes corporativas.
Reportagem de Nathalia Costeira

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